Erik Ferreira, 17 anos, é um dos mais de 13 mil jovens de 15 a 19 anos que vivem em Parelheiros, bairro localizado no extremo Sul do município de São Paulo. A região em que ele mora é pobre, segundo o Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ).
No ranking criado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), o bairro tem 64 pontos – numa escala em que quanto mais próximo de 100, mais carente é o local. Compõem o índice os seguintes indicadores: taxa de gravidez na adolescência (14 a 17 anos); proporção de pessoas de 15 a 17 anos que freqüentam o Ensino Médio; número de mortes por homicídio na população masculina de 15 a 19 anos a cada 100 mil habitantes; entre outros.
Com o Ensino Médio completo e atualmente desempregado, Ferreira vislumbra no curso de panificação e confeitaria que faz por meio do Oficina de Alimentos uma chance de se qualificar para o mercado de trabalho.
Desde março ele frequenta as aulas. “Quanto mais conhecimento eu absorver, mais habilidades e opções de ocupação terei”, afirma o adolescente, que desde os 15 anos trabalha para ajudar no sustento da família e comprar produtos pessoais, como roupas e calçados.
O projeto é uma iniciativa do Instituto Camargo Corrêa (ICC) e da Associação Beneficente Vivenda da Criança, dentro do programa Futuro Ideal, do ICC. O objetivo é oferecer profissionalização para jovens de 16 a 29 anos moradores do bairro.
A associação atua na promoção e defesa dos direitos de crianças e adolescentes, na proteção social das famílias e na profissionalização de jovens. Mensalmente, atende cerca de 5 mil pessoas em reuniões socioeducativas, atendimento de promoção humana e oficinas profissionalizantes.
“No curso, é perceptível o quanto os jovens tomam forma e buscam uma opção à criminalidade, saindo da situação vulnerável em que vivem”, explica a gerente institucional da associação, Débora Rebouças.
A meta do projeto é capacitar três turmas de jovens, cada uma com 20 pessoas, em um ano. A decisão em fazer um curso de panificação e confeitaria baseou-se na necessidade da associação em ampliar o leque de opções de profissionalização na região.
Com 140 horas de duração para o módulo de panificação e outras 140 para o de confeitaria, o Oficina de Alimentos oferece aulas técnicas nesses setores, além de informática e formação em ética e cidadania.
O Serviço Nacional da Indústria (Senai) de São Paulo é parceiro metodológico e pedagógico. Os alunos ainda contam com palestras de profissionais que trabalham em estabelecimentos de alto padrão, como o restaurante Fasano e a padaria Vila Bahia.
“Pretendemos fazer parceria com o Centro de Apoio ao Trabalhador para encaminhar até 70% dos novos profissionais ao mercado de trabalho”, afirma Débora. Uma parte dos formados trabalhará nas empresas que oferecem as palestras adicionais.
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