Cada canto tem sua história. Seja ela oficial ou baseada na vivência individual, essas versões constroem um conhecimento que dá identidade a um local. Com base nesse fundamento, o Instituto Camargo Corrêa (ICC) está desenvolvendo o projeto Memória dos Saberes Locais, em conjunto com o Museu da Pessoa.
O objetivo é fortalecer os laços entre as pessoas e contribuir para o desenvolvimento dos municípios de Apiaí (SP) e Juruti (PA) e do distrito de Jaci Paraná, em Porto Velho. Todos participam do programa Infância Ideal, do ICC. “É muito importante para uma comunidade conhecer e registrar sua memória, pois essa valorização impacta positivamente no desenvolvimento comunitário”, afirma a coordenadora do programa Infância Ideal, Juliana di Thomazo.
“Isso amplia a visão de mundo e dá oportunidade de conhecer outro Brasil, com aspectos muitas vezes desconhecidos do grande público”, avalia a coordenadora da iniciativa no Museu da Pessoa, Cláudia Leonor. A parceria com o Museu da Pessoa se deve à experiência da organização social em desenvolver projetos que valorizam a história de cada indivíduo como parte da memória de uma sociedade. Na instituição, a proposta integra o projeto Memória dos Brasileiros, implantado em 2007 e cujo acervo virtual conta com 138 entrevistas de brasileiros de todas as regiões.
Necessidade regional
Pelas características de cada cidade, o Memória dos Saberes Locais será executado em formatos diferenciados. A proposta foi debatida em 2009 com os integrantes Comitês de Desenvolvimento Comunitário (CDC) de Juruti e Apiaí. Cada grupo expôs suas necessidades e expectativas.
Em Juruti, decidiu-se pela capacitação de 20 pessoas do CDC na metodologia de história oral do Museu da Pessoa. Também decidiu-se pela construção, em seis meses, de um acervo virtual com 20 depoimentos de moradores do município, transcritos e em vídeo. O mesmo processo será implantado em Jaci Paraná. A expectativa é realizar exposições físicas do acervo nas regiões.
Já em Apiaí, os membros do CDC e 28 educadores de quatro escolas de Ensino Fundamental participarão das oficinas de capacitação em história oral. O resgate da memória da cidade ficará a cargo de cerca de 500 alunos. Eles serão orientados nas pesquisas, entrevistas e confecção de textos coletivos para a exposição que ocorrerá no município.
Mão na massa
A execução está a todo o vapor. Durante o mês de abril, uma equipe de 7 profissionais – entre fotógrafo, historiadores e videomakers – desembarcou em Juruti para o trabalho de campo, que envolveu levantamento local de fontes e gravações dos depoimentos dos habitantes. Antes, a equipe do Museu da Pessoa pesquisou previamente a história local e contatou possíveis entrevistados.
“No local, a equipe descobriu novos personagens, como pessoas mais idosas que moravam em comunidades distantes da zona urbana e tinham muito o que contar”, diz Cláudia Leonor. “Todas essas pessoas detêm saberes tradicionais que devem ser preservados em uma área em profunda transformação.” Em setembro de 2009, a primeira mina de bauxita foi inaugurada, o que trará impactos na economia da região. A cidade hoje é baseada em agricultura, pesca, pecuária e extrativismo.
A perspectiva inicial é que até o final de 2010 todo o processo do Memória dos Saberes Locais esteja concluído e os acervos estejam disponíveis pela Internet, inclusive no site do ICC.
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