Quase três milhões de atendimentos e cerca de 180 mil denúncias nos últimos oito anos. Esses são os números alarmantes do Disque Denúncia Nacional (Disque 100), criado em 2003 para combater a exploração sexual infantil no Brasil. A situação é ainda mais grave quando se considera que muitos casos não são conhecidos em razão da impossibilidade dessas crianças se defenderem.
“Durante muito tempo a exploração sexual não foi trabalhada como deveria, só do ano 2000 pra cá que essa questão vem sendo mais trabalhada”, conta Ana Paula Rodrigues, da Secretaria de Direitos Humanos de Fortaleza. Pensando nesse quadro grave, a Camargo Corrêa, o Instituto Camargo Corrêa (ICC) e a Childhood Brasil desenvolveram o Programa Grandes Obras pela Infância.
O programa já vem trabalhando ações nas obras, como a formação de multiplicadores entre os profissionais. “A ideia é que cada multiplicador, ao conhecer essa realidade e receber a preparação necessária para tratar os temas associados à exploração sexual infantil, se torne um agente protetor da criança e do adolescente, não só na obra, mas na sociedade”, conta Carolina Righi De Stefano, gerente de Responsabilidade Social da Camargo Corrêa.
Em paralelo, ações voltadas à comunidade já tiveram início, como o fortalecimento do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente e a criação de ações específicas para cada comunidade. “O papel do ICC será identificar qual é a realidade local, como esse sistema está montado e procurar fortalecê-lo”, explica Francisco Azevedo, diretor Executivo do ICC.
“Trazer o tema do combate à exploração sexual infanto-juvenil é uma ação corajosa e desafiadora. Penso que é um grande passo para enfrentar de maneira definitiva esse problema em nosso país”, diz Raul Araujo, consultor da ABMP – Associação Brasileira de Magistrados e Promotores - e pesquisador associado da Universidade de Liverpool.
Unindo forças no combate
Muitos se engajam no programa desde o início. “Quando fui convidado para participar do treinamento, assisti ao filme “Anjos do Sol”. Para mim, que tenho uma filha adolescente, me senti tocado. Comprei o filme e comecei a incentivar os amigos a assistirem. Eles levavam para casa e assistiam com a família e amigos”, conta Júnior Alves Pereira, multiplicador no CNCC-Rnest.
Mas, infelizmente, o assunto ainda sofre resistência. “Há aqueles que não se chocam com o problema, acham que é algo normal nos dias de hoje”, diz Júnior sobre a abordagem a alguns colegas. Carolina completa: “Sempre deixamos bem claro que estamos falando de menores de idade, e que isso é um crime. O profissional envolvido em situações de exploração sexual de crianças e adolescentes será demitido por justa causa”.
Fonte: Revista Conexão (publicação interna da construtora Camargo Corrêa)