4/10/2011 

 Agricultores familiares de Abunã formalizam cooperativa 

 

As 61 famílias de Abunã beneficiadas pelo projeto Tempo de Empreender Rondônia, realização do Instituto Camargo Corrêa, Sebrae e da construtora Camargo Corrêa iniciada em 2010, formalizaram a Cooperativa dos Produtores Rurais de Taquara, Abunã, Pau D’arco e Penha (Coopertap). A sede da Cooperativa será na Vila da Penha, BR 425, km 17 e tem inauguração marcada para sábado, dia 8.

 

Com o projeto, foram plantadas mais de 250 mil mudas de abacaxi com a primeira safra prevista para 2012. Valdeci Barroso, 26, diretor de produção da Coopertap, aprendeu a cultivar abacaxi com seu pai. A experiência com esta cultura possibilita ao agricultor, junto com seu irmão, colher 1500 abacaxis por semana.

 

Hoje, ele e outros produtores cooperados têm melhores perspectivas para a profissionalização da comercialização via cooperativa. “Através do projeto foi possível ter acesso ao mercado dos supermercados de Porto Velho, que nunca fechavam contrato com agricultores familiares devido à irregularidade no fornecimento dos frutos”, explica o agricultor. “A maneira de tratar os clientes tem sido um grande aprendizado para todos nós. A formalização da Cooperativa, que terá sede própria, também é uma forma de fortalecer os agricultores no processo de comercialização”, completa.

 

Plantio e comercialização - Cada família participante do projeto em Abunã plantou pelo menos 5 mil mudas de abacaxi, uma cultura que era desenvolvida na região por agricultores familiares como Valdeci, que já possuía lavoura ou como Ozair Cândido de Jesus, que hoje tem 120 mil mudas plantadas com uma produção de 500 frutos semanais. Antes da implantação do projeto muitas famílias de agricultores familiares não investiam na cultura porque apesar de produzirem frutos de qualidade não tinham boas perspectivas para a comercialização que, na maior parte das vezes, era realizada via atravessador com baixos preços para o produtor.

 

De acordo com Davino Mendes de Freitas, diretor-presidente da Coopertap, por causa do projeto, hoje existe uma demanda maior que a produção dos agricultores da região. Os frutos plantados este ano só começarão a produzir em 2012, pois são necessários 15 meses para que a lavoura de abacaxi comesse a produzir. “Por causa do primeiro encontro de negócios, realizado através de Tempo de Empreender, tivemos acesso a diversos potenciais compradores. Há uma demanda de 10 mil frutos por semana, mas os agricultores cooperados ainda não têm produção para atender o mercado. Se procurássemos mais compradores a demanda aumentaria. No entanto, ano que vem, teremos uma produção suficiente, inclusive para atender outros mercados. Muitos agricultores plantaram além das 5 mil mudas financiadas pelo projeto. A cooperativa estima que os cooperados, juntos, têm cerca de 1 milhão de mudas plantadas que passarão a produzir por volta de 20 mil frutos por semana no próximo ano”, afirmou o diretor-presidente com um olhar sorridente.

 

Em função dos novos horizontes Davino, conhecido na região como Cabeça Branca, até mudou seu visual e raspou o bigode que usava há décadas. Ele foi a figura inspiradora para o nome da iniciativa Abacaxi Cultivar - que está sendo desenvolvida na biofábrica do canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Jirau, será: Abacaxi CB (Cabeça Branca).

 

Esperança rumo ao futuro - A agricultora Marisa Lopes de Oliveira, 47, cooperada, ficou viúva em maio deste ano. Antes do falecimento de seu marido, conhecido na região como Zé Descalço e pela sua boa vontade em auxiliar os vizinhos, participantes do projeto realizaram um mutirão para plantar 9 mil mudas de abacaxi destinadas à família através de Tempo de Empreender e por outros agricultores. “Durante o período em que meu marido esteve doente senti a solidariedade de todos, que além de nos ajudarem no plantio também coletaram dinheiro para auxiliar nas despesas com o tratamento. Hoje eu vivo com dois filhos mais jovens aqui no assentamento e a mensagem de esperança que recebi do meu marido antes de falecer foi a continuar a participar do projeto, pois ele garantiria o nosso futuro”, afirmou emocionada.

 

Parceiros do projeto Tempo de Empreender Rondônia – Emater, Prefeitura de Porto Velho, Organização e Planejamento em Biodiversidade, Universidade Federal de Santa Catarina, Sescoop, Embrapa, Federação do Comércio, Federação da Agricultura, FCDL, Federação das Indústrias, Facer, Secretaria de Finanças de Rondônia, Sedam, Incra, Ibama, Banco do Brasil, Banco da Amazônia, Caixa Econômica Federal, Sedes e Semagric.



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